Uma estrada sabe
falar
Conta sem receio a história de quem nela passar.
Suas palavras nem todos podem entender,
Alguns passam depressa e nem conseguem perceber
O esforço deste caminho na ânsia de se comunicar.
A dica que se dá para quem tem ouvido,
É, em primeiro passo: Pare na beira deste caminho
Se abanque debaixo deste grande pé de Ipê Amarelo
Que apesar de estar despojado de folhas, em um gesto singelo
Entre poucas sombras oferece de inicio uma história de amor
Pois no seu tronco uma sicatriz antiga
Revela um coração, dois nomes e um sinal de dor.
O desenho tão bem esculpido, parece que foi trabalho de um artista,
Mas, se nota golpes de uma lamina com intuito de destruir
Qualquer lembrança do amado que depois de uma briga decide
partir.
Esqueça juras de amor eterno
Amor leal, só- o materno!
Lembrando-me que estou a beira do caminho para ouvir a
estrada falar
Mais adiante quase naquela curva violenta, cinco cruzes e um
altar,
Contam a história dos Silvas que moram próximo á aquele
lugar.
Dois irmãos e três
primos, todos com um projeto de vida a seguir!
Falam as más línguas
que eram meninos muito orgulhosos,
Difícil mesmo de engolir.
Queriam ser mais que todo mundo, por coisa pouca já começavam uma briga.
Se gabavam que iam pra faculdade na cidade grande
E perto estavam da esperada partida.
Os amigos até
organizaram uma grande festa de despedida,
Tinha muita carne, tinha mulher e tinha muita bebida!!!
Aquelas cruzes não precisavam estar lá,
Mas estão por que elas têm uma história pra contar.
Daqui mesmo sem muito
esforço, posso enxergar uma placa
Nela está escrito:
Pesque e Pág do Pedrinho!
Todos conhecem ele desde menino.
Criado solto sem pai deu muito trabalho,
Não tinha crédito algum, era considerado um preguiçoso.
Vivia no rio pescando, na escola não deu certo,
Era muito conversador, diziam que era muito manhoso.
Todos podem um dia
acordar para vida conhecer o sucesso de perto.
Depois que a mãe morreu,
ficou sozinho com mais dois irmãos.
Na pequena propriedade da beira da estrada ele tentou de
tudo produzir.
Eram tantas tentativas frustradas que pensou em desistir.
Tantas mudanças implantadas faziam muitos que por ali passavam, até rir.
Foi então que desesperado foi pescar,
Acreditava que não tinha mais nada para fazer,
Passara tanto tempo pescando que não deu tempo para outra
coisa aprender.
Triste desiludido,sentado na beira do rio observou,,
Lá em cima na ponte um furgão amarelo com um peixe
desenhado passou.
“Só pode ser uma luz! De peixe eu entendo”
Agora! Cada vez que
passo na frente da propriedade do Predrinho me surpreendo.
A sua chácara hoje tem muito valor
E nos mercados onde vende seus peixes é chamado de Senhor.
Temos que admitir, a estrada da vida é quem prepara e
constrói o verdadeiro vencedor!
Depois de descansar um pouco, é ora de deixar para traz o
Ipê amarelo
Pegar a estrada continuar caminhando
Conhecer a alegria e as vezes o flagelo
É preciso estar atento pois a estrada continuará falando.
Uma hora falará em alta voz, outra no seu ouvido vai
susurrando
A historia de quem por ali passou.
Conta a historia dos viajantes e também de quem nela
trabalhou,
Enfrentando a dureza de um salário baixo, saudade de casa,
uma vida infeliz
De quem a beira da estrada precariamente se acampou,
Com a missão visionária de estar construindo um grande país.
Um monumento levantado na beira da rodovia
Presta homenagem a quem não poupou esforços e alguns até a
própria vida
Essa foi a história
do Zé Alecrim, seus companheiro o apelidaram assim
Por que diziam que de “zoio fechado” o conheciam só pelo
cheiro,
Nada de maldade, era ele considerado o melhor companheiro,
O melhor funcionário também conhecido como “ligeirinho”
Muito alegre fazia suas obrigações num estralo, era mesmo
rapidinho
Mas nada de descansar,
fazia assim para outros no trabalho
poder ajudar.
A semana dos acampantes nesse ritmo voava,
O serviço sempre rendia, Zé alecrim com seu jeito serelepe a
todos alegrava,
Mas o melhor da festa pro final do expediente era reservado
Os companheiro malema
tomavam banho, jantavam, já estavam abancados.
Zé alecrim de posse de uma viola e um violão virava artista
Ia de MPB, Rock nacional, sertanejo, a alegria era geral
Mas o danado era melhor ainda como trovador repentista
Nos versos improvisado mexia com a vida de todo mundo até
dos chefes falava mal.
Essa alegria contagiante deveria ter uma explicação
Dava impressão que tinha algo bem escondido lá dentro do
peito
A realidade da distância de casa se agravava por ter sua
filhinha doente em um leito
Desenganada pelos médicos, por ter um problema raro no
coração.
Poucos conheciam sua história, nunca ninguém o viu chorar
Nesse fato ele achava força para lutar
Nunca perdeu a esperança
Acreditava que os médicos estavam errados, não vou ver o fim
da minha criança.
Que fato questionável o sucedido, a época de chuvas naquele ano começou mais cedo
Não havia condições de partir, a estrada era intransitável,
era chuva que dava medo.
“O pior está para acontecer” nunca é uma expressão bem vinda
Mas a realidade pode ser difícil no interior de uma mata
fechada
Alguns dos trabalhadores foram acometidos por uma forte
malária
O surto da doença que chegou pegou o acampamento de surpresa
Em uma enfermaria improvisada, Zé Alecrim doente foi
colocado sobre uma mesa
Na mão segurava uma carta de casa e uma foto da mulher, dos
dois menino e da filha
A impressão que se tinha é que naquele momento ele conversava mesmo com a
família
As palavras que se ouvia eram de encorajamento mas trazia um tom de despedida.
Parece uma história como muitas outras a do Zé alecrim uma historia com um fim,
Mas é o começo para quem deseja ser graduado na faculdade da
vida.
Olhando as lembranças de um companheirismo vivido
Fez com que a estrada fosse com muito esforço concluída.
Quando deixamos egocentrismo de lado
Decidimos aprender com o universo ao redor
Há uma chance de sermos pela vida graduado
Podendo tornar o nosso mundo bem melhor.
Na estrada da vida se o homem por atenção em tudo que
acontece
Poderá repensar seu mundo e se preciso for decidir mudar
Contar e ouvir história e da conclusão ao final fazer essa
prece:
Senhor! Me ensina olhar para os outros poder reconhecer o
seu esforço, me ensina amar.
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